“Inclusão é o imperativo da nossa geração de líderes”. A afirmação, de Luana Ozemela, Chief Sustainability Officer do iFood, vem em um momento de extrema volatilidade geopolítica, em que as decisões precisam ser tomadas de forma cada vez mais rápida, por grupos cada vez menores na liderança das organizações. Em sua visão, esse cenário, somado ao avanço da inteligência artificial, aumenta o risco de exclusão no ambiente de trabalho.
Na apresentação de encerramento do RH Experience, ela afirmou que o uso da inteligência artificial no RH pode agravar ainda mais a exclusão. O problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é treinada e aplicada dentro das empresas. Ao aprender com processos já existentes, ela replica falhas que muitas vezes já estavam presentes na gestão da organização. O risco, nesse caso, é reproduzir distorções em decisões sobre recrutamento, admissões, avaliação de performance, demissões e até na definição de quem ocupa espaços de poder.
Com o apoio da inteligência artificial, o iFood conseguiu identificar padrões que explicavam essa diferença de trajetória. O principal deles foi um turnover mais alto entre pessoas negras, associado a uma menor tolerância à performance de líderes negros em comparação com líderes brancos. A partir desse diagnóstico, a empresa passou a tratar a inclusão como parte do próprio modelo de gestão.
Segundo Luana, esse tipo de distorção não necessariamente nasce de decisões conscientes, mas de critérios e práticas que, ao longo do tempo, acabam produzindo resultados desiguais. “Quando conseguimos mostrar esses padrões, fica claro que são falhas corrigíveis do processo”, afirmou. A partir daí, a discussão deixa de ser abstrata e passa a se apoiar em evidências, criando espaço para ajustes mais estruturais na forma como as decisões são tomadas.
A executiva fez então uma provocação aos mais de 100 líderes de RH presentes. Para ela, a agenda da inclusão não pode ser acessória. É preciso incorporar essas discussões aos próprios sistemas de gestão, com disposição para encarar conversas desconfortáveis, mas necessárias, sobre onde os processos falham.


