Depois de atuar diretamente em Washington pela retirada das tarifas impostas ao café brasileiro, o presidente da NCA (National Coffee Association), Bill Murray, avalia que os Estados Unidos reconheceram uma realidade difícil de contornar: o mercado americano depende do Brasil e não há outra origem capaz de substituir integralmente o produto brasileiro.
“Não existe outro país que possa preencher essa lacuna. Considerando a eficiência dos produtores brasileiros, a qualidade do café e o volume produzido, não há nenhum outro lugar no mundo que possa substituir o café brasileiro. Não há dúvida. Não há substituto”, afirmou Murray, em entrevista à CNN, na prévia para o Vitória Coffee Summit, que começa nesta quinta-feira (20), em Vitória (ES).
A declaração ocorre após mais de um ano de articulação entre representantes da cadeia cafeeira brasileira e americana para retirar o produto do alcance das medidas tarifárias adotadas pelo governo de Donald Trump.
Em agosto de 2025, os cafés brasileiros passaram a enfrentar uma tarifa total de 50% para entrar nos Estados Unidos — resultado da tarifa de 10% aplicada anteriormente, somada a uma sobretaxa adicional de 40%.
A medida vigorou por quase quatro meses para a maior parte do setor. Em novembro do ano passado, o governo americano retirou a sobretaxa adicional sobre café verde, torrado e moído, enquanto o café solúvel permaneceu sujeito à taxação.
Murray esteve entre os principais interlocutores dessa frente nos Estados Unidos. Em julho deste ano, durante audiências em Washington relacionadas às investigações da Seção 301, o executivo defendeu a manutenção das exceções previstas para o café e pediu que o café solúvel não aromatizado também fosse incluído na lista.
O argumento apresentado ao governo americano teve como um dos pilares o peso econômico da cadeia dentro dos próprios Estados Unidos. Segundo Murray, 2,2 milhões de empregos americanos dependem do café.
“Precisamos uns dos outros. O Brasil precisa dos Estados Unidos e os Estados Unidos precisam do Brasil. Não temos um mercado de café sem o café brasileiro”, reiterou.
Segundo ele, o Brasil respondeu no ano passado por 19% do café que chegou aos Estados Unidos, considerando o valor das importações.
Para o executivo, o peso do Brasil na oferta torna particularmente difícil substituir o produto nacional simplesmente redirecionando as compras americanas para países concorrentes.
Por Isadora Camargo


